O que 2019 espera dos profissionais de Oil & Gás?

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Recrutamento de profissionais deve se intensificar a partir de 2019 no setor de óleo e gás

A retomada das contratações na indústria de petróleo brasileira deverá se intensificar a partir de 2019, acredita o especialista em recrutamento na área de óleo e gás da consultoria Robert Walters, Sam Gallagher, em entrevista concedida à Brasil Energia Petróleo.

O consultor esteve nas últimas quatro semanas com os CEOs da Total, Saipem, Karoon Gas, BHGE, IPB, Wood Group e Fluor, entre outras e disse que o clima é de bastante otismismo com a retomada dos leilões, com a vinda de players internacionais para o mercado brasileiro e o desinvestimento da Petrobras.

Nessas conversas, Gallagher disse haver uma percepção que, independente qual seja o novo governo do Brasil no fim do ano, vai prevalecer uma abordagem pragmática da indústria, no sentido de entender que é benéfico ao país que o setor continue se desenvolvendo.

Quais são as perspectivas de recrutamento na indústria brasileira de petróleo e gás no curto, médio e longo prazo?

Em 2018, o ritmo de contratação permanecerá bastante lento, com alguma atividade em propostas. No entanto, estamos começando a ver alguns dos novos players no mercado e empresas que cortaram fortemente nos últimos anos começaram a montar ou reconstruir suas equipes. Acreditamos que, a médio prazo, a partir de 2019, as empresas começarão a contratar mais agressivamente e, inicialmente, procurarão preencher cargos com ex-funcionários e indicações, pois há candidatos muito competentes no mercado. A longo prazo, a partir de 2020, isso irá se esgotar à medida que os projetos surgirem e a disputa por talentos voltar a emergir. Haverá sempre o desejo de todas as empresas, seja a curto ou longo prazo, de garantir a melhor equipe, especialmente em um setor como o de petróleo e gás, que é tão técnico e com apostas tão altas.

Que tipo de profissionais será mais exigido?

Será em todos os setores, mas as empresas procurarão abordar o equilíbrio de gêneros e precisarão contratar brasileiros que falam inglês. Com tantas novas empresas estrangeiras, a capacidade de interagir com essas empresas será fundamental. Depois de uma extensa consultoria com algumas rmas locais e internacionais, existe um desejo real de brasileiros que falam inglês com experiência no exterior ou para negócios internacionais, em que possam entender as diferenças de cultura/práticas de trabalho e prosperar em ambos os ambientes.

Os salários vão crescer?

No curto prazo, diríamos que não, devido ao grande número de pessoas desempregadas e, na verdade, pode até ter uma queda, à medida que as pessoas estão voltado para o mercado de trabalho. Uma parte do problema que o Brasil teve antes do crash foram os salários iflacionados, então as empresas hesitarão em oferecer grandes salários inicialmente. Pode ser que haja um aumento dos salários uma vez que o mercado retorne ao foco de buscar candidatos, mas inicialmente não prevemos um aumento drástico.

Quais são os segmentos que mais beneficiam a curto prazo?

A área de serviços de campo (oil field services) e as novas operadoras serão oss primeiros quando se trata de contratação. As empresas de serviços de campo reduziram consideravelmente os seus quadros nos últimos anos e precisarão substituir esse contingente à medida que novos projetos e licitações forem lançados. As novas operadoras têm equipes muito pequenas atualmente e precisarão usar o banco de talentos brasileiro para contratar os funcionários e as habilidades para melhor ajudar os negócios a crescer e ter sucesso aqui.

Qual é o potencial para os próximos anos?

É difícil dizer, já que muitas contratações estão sendo feitas de forma direta, sem divulgação, mas achamos que isso mudará à medida que o banco de talentos se esgotar. A partir do Segundo trimestre de 2019, deve haver um grande número de oportunidades no mercado. Relatórios do setor sugerem que possivelmente 500 mil empregos diretos e indiretos serão criados nos próximos quarto anos. Isso, é claro, será afetado pelas políticas do novo governo. No entanto, falando com vários líderes do setor no Brasil, existe a sensação de que o novo governo, seja quem for, continuará com a abordagem pragmática da indústria, que só pode ser benfica para todo o Brasil a curto e longo prazo.

A retomada das rodadas de licitações, com resultados bem-sucedidos, é um fatorchave para a criação de empregos na indústria de óleo e gás?

Com certeza – quanto mais players estrangeiros entrarem no mercado, mais oportunidades de emprego. As rodadas de licitações são uma excelente maneira de a Petrobras e o Brasil realizarem investimentos para maximizar o potencial do setor de petróleo e gás no Brasil. Vimos que certas empresas, como a Equinor, realmente abraçaram as rodadas de licitação, bem como vários outros players internacionais que investem pesadamente. É justo dizer que, mesmo que não bidem nos leilões, há muitas empresas com os olhos voltados para o funcionamento do mercado no Brasil. 

O que você diria aos jovens que estão pensando em estudar em uma área relacionada à atividade de petróleo e gás? 

É uma indústria fantástica, com muitas oportunidades locais e globais, uma indústria muito inovadora e com algumas pessoas incrivelmente inteligentes e engenhosas trabalhando nela. É uma indústria que pode ser cíclica e está à mercê de uma série de fatores em todo o mundo. Para mim, pessoalmente, eu diria que tornar o aprendizado de inglês uma parte de seu estudo é a chave para manter as oportunidades mesmo no ciclo de baixa.

Quais são as ameaças para o recrutamento da indústria de petróleo e gás no Brasil?

Não é novidade que aqui no Brasil o governo pode ter um efeito muito grande na indústria e, portanto, no mercado de trabalho, mais do que em vários outros países. Recentemente houve um afastamento das políticas de protecionismo do passado e isso só pode ser uma coisa boa, pois incentiva novos investimentos, empresas, oportunidades, idéias e práticas para o mercado. Espero que esta mudança continue e que a indústria aqui no Brasil possa começar a alcançar seu potencial inquestionável. O preço do petróleo, que depende de vários fatores globalmente, incluindo o político, sempre afetará o mercado. Petróleo na marca de US$ 100 por barril, no entanto, nem sempre é o melhor para a indústria, pois eleva os custos e a indústria fica menos sustentável quando os preços caem.

Se o preço cair novamente, as projeções são mantidas?

Acreditamos que, enquanto o preço permanecer em torno de US$ 60 por barril, a tendência atual da indústria para a prosperidade continuará. 

Qual pode ser a influência do programa de desinvestimento da Petrobras na criação de empregos na indústria de petróleo e gás? 

Isso também é essencial para a criação de empregos no setor, já que, embora esses ativos possam não se encaixar na visão da Petrobras, ele ainda são muito atraentes para empresas estrangeiras e locais que precisarão criar equipes e envolver uma série de terceiros. 

Existe uma perspectiva de crescimento de emprego no segmento de refino?Haverá um crescimento lento no setor de emprego no segmento de re􀂡no, mas ainda é uma parte da indústria que de atenção da própria indústria e de órgãos governamentais. Há a questão da intervenção governamental no preço do petróleo, que acrescenta um elemento extra de risco à construção e operação de uma rfinaria no Brasil. Não há dúvida de que o Brasil precisa de mais reinarias e precisa atrair investimentos para construí-las. Tenho certeza de que, com o tempo, isso será abordado, são megaprojetos com a capacidade de criar milhares de empregos.

Este artigo foi publicado pela primeira vez na Brasil Energia Petróleo