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Mulheres na Tecnologia

A associação entre tecnologia e masculinidade continua a distanciar as mulheres de TI. Segundo pesquisa da Robert Walters, apenas 22% dos profissionais de Tecnologia são mulheres, contra 78% sendo homens.

Mas porque isso acontece? Quais as maiores dificuldades de integrar na área de Tecnologia, sendo mulher? Tatiana Chebat, consultora sênior de recrutamento para Tecnologia entrevistou Giovana Braccialli, Superintendente de TI no Itaú e respondeu esses e outros questionamentos. Confira abaixo:

TC: Em sua opinião, porque existem poucas mulheres na área de Tecnologia?

GB: Infelizmente acredito que ainda seja uma questão social. Precisamos incentivar mais nossas meninas desde a infância. Acredito que ainda tenha muita falta de conhecimento do que é a área de tecnologia, por falta exemplo dentro de família e dos amigos e principalmente pelo nível de exigência que as mulheres têm com elas mesmas. 

TC: Quais as maiores dificuldades para uma mulher se integrar no mercado de TI?

GB: A síndrome da impostora sem dúvida é uma das maiores dificuldades, muitas vagas de analista Jr surgem a cada dia no Brasil, mas a maioria com pré-requisitos longos e muitos conhecimentos necessários. Estudos mostram que homens não deixam de se candidatar, mesmo não atendendo plenamente os requisitos da vaga, mulheres analisam muito antes de “apertar o botão” e muitas vezes desistem de se candidatar por não se sentirem prontas. 

TC: Quais as melhores formas de ações ou atitudes que os profissionais e as empresas poderiam tomar para acelerar esse progresso?

GB: Falar com seriedade e profundidade sobre diversidade de gênero é a primeira atitude, os números por si só, já mostram muito. Traçar planos de ação específicos como exemplo: trabalhar na formação de mulheres em parceria com universidades ou ONGs, criar vagas específicas para mulheres, e não estou falando de cota e sim de perfil e forma de divulgação, a exemplo do que comentei antes em relação aos pré-requisitos.

Além disso, acredito que as empresas precisam colocar mais mulheres fazendo entrevistas, participar de um processo onde as entrevistas técnicas são sempre com homens, já inibe na largada. 

TC: O que você diria para inspirar a geração de mulheres estudantes atualmente para seguir uma carreira no mercado de tecnologia?

GB: Não tenha medo, acredite que é possível. Se você gosta de exatas, gosta de tecnologia e gosta de estudar, tem tudo para ter uma excelente carreira. O mercado está muito aquecido e carente de mulheres dedicadas. Leia muito, entenda sobre plataformas modernas, cloud pública e principalmente sobre como a tecnologia pode transformar a realidade dos negócios. 

TC: Quais são as principais mudanças que você identifica em relação a área de tecnologia desde o início da sua carreira até seu momento atual?

GB: Foram muitas, se pensar como estava há 1 ano já diria que muita coisa mudou. 

Mas para ser mais objetiva vou falar de 3 pontos:

  1.  O comitê executivo das empresas entendeu que tecnologia não é custo e nem área de suporte, é parte de estratégia da empresa. Impossível uma empresa ter um plano sustentável sem envolver tecnologia.
  2. Um bom profissional de TI precisa entender de negócios, se comunicar bem e principalmente identificar como a tecnologia pode transformar o “business” e gerar uma experiência impecável para o cliente.
  3. O ágil, quando comecei no ramo tudo era “waterfall”, projetos longos, passagem de bastão, especificações enormes e entregas que não faziam mais sentido. Existia uma barreira entre negócios e TI, muito conflito, muito PMO e muita energia gasta discutindo prazos sem falar do cliente.

A realidade atual provou que metodologia ágil verdadeira só funciona com times integrados, diversas especialidades trabalhando por um propósito único e ativando valor constante pro cliente. Aqui vejo mais um motivo para mulheres se destacarem, times ágeis precisam de diversidade e o olhar feminino geralmente agrega demais nas discussões. 

"Atualmente somente 20% das mulheres brasileiras estão trabalhando na área de Tecnologia. Isso ocorre principalmente porque desde crianças elas são incentivadas a terem preferências e hobbies que não estão ligados à área de exatas/TI. Isso ocorre muito por conta de estereótipos da sociedade que levam as mulheres a pensar que o foco delas não deveria ser nessa área e sim em outras áreas que exigem outras habilidades mais voltadas para a área de humanas. Por conta disso, as empresas vêm enfrentando muitos desafios para quebrar esse paradigma e contratar mulheres em TI. Acho que é muito importante criar mais programas de incentivos e conscientização para inseri-las no mercado de Tecnologia e formar uma área mais homogênea." Comenta e finaliza Tatiana Chebat.

Se quiser saber mais sobre esse assunto, assista ao webinar Mulheres na Tecnologia ou escute o Podcast sobre o mesmo tema com a Giovana Braccialli.

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